Elismar Gonçalves, como todos sabem, sacrificou seu mandato de vereador para assumir uma missão ao lado de Júlio Lóssio, em um momento em que nenhum outro nome teve a coragem de enfrentar o desafio. Coube a Elismar tomar a difícil decisão de abdicar de sua reeleição, que estava praticamente garantida, para embarcar no projeto de Lóssio. Na época, eles enfrentaram uma máquina administrativa com alto índice de aprovação e grandes avanços em obras por toda a cidade.

Entretanto, na política, o reconhecimento de sacrifícios nem sempre ocorre quando o instinto pelo poder fala mais alto. E assim tem sido a ingratidão de Lóssio, que, na corrida pelo afago do poder, esqueceu o que Elismar fez por ele e decidiu dividir a oposição ao lançar sua possível pré-candidatura a deputado estadual. Agora, Lóssio já projeta um novo cenário eleitoral com possibilidade rumo à Assembleia Legislativa, deixando de lado Elismar, que esteve ao seu lado como candidato a vice-prefeito na última disputa.

A ingratidão se escancara como uma rasteira digna dos tempos de faroeste, provavelmente sem volta. Afinal, Lóssio tem apenas dois caminhos para retornar ao poder: Ou espera para disputar uma vaga de vereador em 2028, ou tenta realmente um cargo no legislativo estadual em 2026. Por outro lado, há quem aposte no carisma de Elismar, em sua capacidade de dialogar e agregar apoio popular. Ele poderia ser um nome forte para renovar a política pernambucana, trazendo uma nova conjuntura para o estado.

Não seria improvável uma dobradinha entre Elismar e Lucas Ramos, um na disputa estadual e outro na federal. No entanto, Petrolina tem um histórico de, ao apagar das luzes do cenário político, ver as mesmas velhas raposas ressurgirem. Elismar, por sua vez, quebraria esse tabu: um novo nome, simpático e acolhedor, capaz de construir uma candidatura competitiva e ser um divisor de opiniões. Poderia, inclusive, estar no páreo para conquistar uma cadeira no mais alto legislativo do estado.

Lóssio, por outro lado, deve buscar apoio nas asas da governadora, tentando costurar uma aliança e uma dobradinha com um candidato federal. Lucas Ramos, por sua vez, seguirá no ninho do PSB de João Campos, bem avaliado nas pesquisas. Mas Lóssio pode acabar tropeçando novamente, repetindo os fracassos eleitorais recentes, nos quais só conseguiu ser majoritário em Izacolândia. Ele tenta surfar uma volta ao poder, mas subestimar a inteligência do eleitor pode ser um erro fatal – ao menos para aqueles que enxergam a rasteira que deu em Elismar Gonçalves. Quem viver, verá.